Não sei vocês, mas tem personagens que ficam. Mesmo depois de a gente escrever o ponto final, eles continuam ali, sentados num cantinho da mente, como quem ainda tem coisa pra dizer. Carlos e Bárbara são exatamente assim pra mim.
Enquanto escrevo este post, percebo que não consigo pensar neles apenas no tempo da história. Já imaginei o passado, o presente… mas e o depois? E o que vem depois do depois? Como será que eles estarão daqui a cinco anos, já com seus 26 anos? O que terão vivido? Que medos terão deixado para trás? Que sonhos terão abraçado?
É claro que muita coisa pode mudar, e talvez, se eu reler esse post no futuro, eu veja tudo de outro jeito. Mas hoje, se eu fecho os olhos por alguns segundos e me permito sentir. Enfim, é mais ou menos assim que imagino.
Carlos, aos 26 anos, me parece mais calmo. Não porque a vida tenha ficado mais fácil, mas porque ele aprendeu a se escutar.
Aos poucos, ele foi deixando de achar que precisava se provar o tempo todo. Ainda tem suas inseguranças, sim — algumas marcas não somem, apenas se transformam —, mas há uma confiança nova em sua forma de olhar o mundo. Como quem finalmente entendeu que existe beleza na sua forma única de sentir.
Carlos é alguém que cuida. Do trabalho, dos amigos, dos pequenos detalhes. Ainda gosta de desenhar, mas agora seus desenhos não são só um refúgio: são também uma ponte. Uma forma de comunicar o que antes ele só conseguia guardar pra si. Acho bonito imaginar que ele trabalha com algo que mistura criatividade e acolhimento. Talvez algo ligado à educação, ou ao design de experiências para outras pessoas. Talvez ele tenha criado um projeto próprio, desses que nascem devagar e vão crescendo com afeto.
Gosto de imaginar que ele mantém uma rotina simples, mas significativa. Que toma café com calma nas manhãs de domingo. Que ainda lê com frequência — especialmente sobre autoconhecimento e espiritualidade. E que, vez ou outra, volta a caminhar pela rua da antiga escola, sem tristeza, mas com um carinho quase melancólico por quem ele foi um dia.
E sim, ele ainda carrega lembranças do passado. Ainda sente falta de algumas pessoas. Ainda se pergunta se poderia ter feito diferente. Mas já aprendeu a viver em paz com o que não pode mudar. E talvez seja isso o mais bonito: ele se perdoou. E segue.
Bárbara, também com 26 anos, tem um brilho calmo nos olhos.
Não o tipo de brilho que chama atenção de longe, mas aquele que só se nota de perto — quando ela sorri em silêncio ou segura a xícara com as duas mãos enquanto escuta alguém falar. Com o tempo, ela aprendeu a valorizar aquilo que não precisa de plateia. E isso mudou tudo.
Bárbara já viveu algumas reviravoltas. Já mudou de cidade, já se questionou sobre o que queria da vida, já amou, já se desfez de alguns planos e reconstruiu outros. E mesmo que não tenha todas as respostas (ela nunca precisou ter), agora sente que está mais perto de si mesma. Como se, depois de tantas buscas, tivesse feito as pazes com sua essência.
Penso nela envolvida em algo que exige escuta e sensibilidade. Talvez escrevendo. Talvez cuidando de pessoas. Talvez fazendo algo que misture as duas coisas. O que importa é que ela sente que está contribuindo de um jeito genuíno. E que isso a faz dormir tranquila à noite.
Ela segue sendo esse porto seguro silencioso para quem ama. Ainda manda mensagens do nada dizendo “pensei em você hoje”. Ainda repara em detalhes que ninguém vê. Mas também aprendeu a se escolher mais. A dizer “não” sem culpa. A descansar sem pedir desculpas. E isso, para alguém como ela, é uma vitória imensa.
Às vezes, nos dias mais nublados, ela se lembra de Carlos. Ou melhor: se lembra dos dois, da época em que tinham 15 anos. Não com saudade, mas com ternura. Porque tudo o que viveram, mesmo o que não foi dito, ajudou a moldar quem ela é hoje. E no fundo, mesmo que os caminhos sejam outros, ela sabe: algumas conexões não se explicam, só se sentem.
E os dois, ficaram juntos?
Hum… Não sei. Pode ser que estejam juntos, sim. Pode ser que tenham se reencontrado de verdade — sem pressa, sem promessas grandiosas, mas com maturidade e afeto. Pode ser que tenham construído algo bonito, aos poucos, na base da conversa e do respeito. Pode ser que tenham aprendido a rir das coisas que um dia doeram.
Mas também pode ser que sigam caminhos diferentes. Que tenham se tornado grandes amigos, ou apenas memórias boas um do outro. E tudo bem. O bonito, pra mim, é que o vínculo entre eles ultrapassa qualquer rótulo. É feito de escuta, de cuidado, de presença. E isso, mesmo que o tempo passe, não desaparece. Só muda de forma.
Eu gosto de imaginar esse futuro não como um destino fixo, mas como um horizonte. Um espaço possível. Um lugar onde eles — assim como nós — continuam aprendendo, errando, tentando, crescendo.
Porque é isso que mais me encanta em Carlos e Bárbara: eles são profundamente humanos. Têm falhas, dúvidas, silêncios. Mas têm também coragem de sentir. E acho que é isso que os mantém vivos. Dentro da história e dentro de mim.
Talvez, se um dia eu voltar a escrever sobre eles, seja nesse tempo mais maduro. Talvez eu os encontre em uma cafeteria, numa tarde qualquer, conversando sobre como a vida seguiu. Ou talvez em um reencontro inesperado, num lugar que tem cheiro de infância e gosto de recomeço. Não sei. Só sei que, mesmo que eu não escreva mais uma linha sequer sobre os dois… eles seguem aqui. Inteiros.
E você?
Se você leu a história deles e também sentiu esse apego, me conta: como você imagina Carlos e Bárbara daqui a cinco anos? Que tipo de vida você vê para eles? Vou adorar saber como esses dois personagens vivem aí dentro de você também. ✨



