A Prateleira Que Me Levou de Volta Pra Infância 🌈

Cheiro de infância

Às vezes, a gente entra numa loja sem nenhuma intenção especial. Só pra dar uma olhada. Só pra passar o tempo. Só pra resolver alguma coisa rápida. Foi assim naquele dia. Eu só queria comprar uma caneta. Uma única caneta. Simples.

Mas aí eu vi a prateleira cheia de cadernos coloridos, estojos fofos, adesivos delicados, bloquinhos com frases bonitas, canetas com cheirinho, capas com personagens, desenhos, estrelas, corações. Tudo organizado. Tudo chamando atenção. Tudo me chamando.

E eu parei. Fiquei ali alguns segundos… que viraram minutos. De repente, eu não estava mais naquela loja. Eu estava na minha infância.

Lembrei das voltas às aulas. Da mochila nova. Do cheiro de caderno recém-aberto. De escrever meu nome na primeira página com cuidado. De escolher a caneta “especial” pra começar o ano. De mostrar tudo pra minha mãe com orgulho. De sentir que um caderno em branco era uma promessa.

Uma promessa de histórias. De tentativas. De sonhos.

Naquela época, tudo parecia possível. Eu acreditava que meus desenhos podiam virar arte. Que minhas redações podiam virar livros. Que meus pensamentos tinham valor. Que o futuro era enorme e gentil comigo.

E, de alguma forma… ele ainda é. Mas crescer muda a forma como a gente enxerga as coisas.

Hoje, eu entro numa papelaria pensando em preço. Em necessidade. Em tempo. Em lista. Em prioridade. Eu olho rápido. Escolho rápido. Pago rápido. Vou embora.

A vida adulta é cheia de pressa. E, naquele dia, aquela prateleira me obrigou a desacelerar.

Me fez lembrar da versão de mim que não tinha medo de tentar. Que não se comparava. Que não se cobrava tanto. Que errava sem culpa. Que sonhava demais.

A criança que ainda mora em mim estava ali, sorrindo, segurando um caderno rosa, dizendo baixinho:

“Você lembra de mim?”

E eu lembrei. Lembrei das tardes desenhando. Dos diários secretos. Das histórias mal escritas. Das cartas que nunca enviei. Dos planos que mudavam toda semana. Das fantasias sobre o futuro.

Lembrei de como eu me sentia viva criando.

Com o tempo, a gente aprende a ser responsável. A pagar contas. A cumprir horários. A engolir frustrações. A ser forte. A ser prática. A ser madura.

Tudo isso é importante. Mas, às vezes, nesse processo, a gente deixa aquela parte sensível meio escondida. Meio quietinha. Meio esquecida. E ela não merece isso.

Porque é essa parte que faz a gente escrever. Sonhar. Cuidar. Amar. Acreditar. Recomeçar.

É essa parte que me trouxe até aqui. Até o blog. Até os livros. Até as histórias. Até vocês.

Eu fiquei olhando para aquela prateleira pensando em como pequenos detalhes podem acordar sentimentos gigantes.

Uma caneta pode virar memória. Um caderno pode virar afeto. Um adesivo pode virar saudade.

E, de repente, eu percebi: crescer não é apagar a criança que fomos. É aprender a caminhar com ela. É levar junto, proteger, ouvir e respeitar.

Eu não quero ser uma adulta que esqueceu como se emociona e nem quero ser alguém que só vive no automático.

Quero continuar parando em prateleiras. Quero continuar me distraindo. Quero continuar sentindo.

Quero continuar sendo eu.

No fim, eu comprei a bendita da caneta. Mas também comprei um bloquinho fofo. E alguns adesivos. E um caderno que eu “não precisava”.

Ai meu Deus, eu deveria parar de comprar as coisas por impulso 😄 Esses dias mesmo, eu cheguei na papelaria e levei mais coisas além do que eu estava precisando.

Enfim, saí de lá sorrindo, toda feliz da vida.

Não é comprar só por comprar, é lembrar de coisas boas. Coisas que ficam adormecidas na minha memória que acabam voltando à tona nos momentos mais inesperados.


Você já viveu um momento assim? Alguma coisa simples que te levou direto pra infância? Uma música, um cheiro, um lugar, um objeto? Me conta nos comentários.

Eu amo ler suas histórias 💛📖✨

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