Uma Tarde no Shopping

Meninas no shopping

Tem dias em que eu acordo com uma vontade diferente. Não é vontade de produzir, nem de escrever, nem de resolver mil coisas. É vontade de sair. De respirar outro ar. De colocar uma roupa confortável, passar um perfume leve e simplesmente… ir.

Naquele dia foi assim. Olhei pela janela, vi o céu meio nublado, meio tímido, e pensei: “Hoje é dia de sair um pouco.” Peguei o celular e mandei mensagem pra Sofia. Sem muito planejamento. Sem grandes planos. Só um: ir ao shopping, andar sem pressa e conversar sobre a vida.

Ela respondeu rápido, como sempre.

“Bora.”

E pronto. Estava decidido.

Me arrumei sem exagero. Uma roupa simples, tênis confortável, cabelo do jeito que deu. Porque quando eu saio com a Sofia, eu não sinto que preciso ser nada além de mim mesma. Não preciso impressionar. Não preciso fingir. Posso ir do jeito que estou.

Engraçado como a presença de algumas pessoas muda completamente o clima do dia.

Quando encontrei a Sofia, ela estava encostada perto da entrada, mexendo no celular, com aquele sorriso tranquilo de quem parece estar sempre em paz com o mundo. Quando me viu, abriu os braços.

— Finalmente — ela disse, rindo.

— Eu nem demorei — respondi, rindo também.

A gente se abraçou. Aquele abraço rápido, mas cheio de carinho.

O shopping estava cheio. Luzes, vitrines, gente andando apressada, música baixa vindo das lojas. Tudo ao mesmo tempo. Tudo meio caótico. E, mesmo assim, eu me sentia calma.

Começamos andando sem rumo. Olhando vitrines sem intenção real de comprar. Comentando roupas que nunca usaríamos. Rindo de preços absurdos. Imaginando vidas alternativas em que somos ricas, estilosas e despreocupadas.

— Nessa realidade paralela, eu comprava isso — a Sofia falou, apontando pra uma bolsa caríssima.

— Nessa realidade, eu ainda ia pensar duas vezes — respondi.

A gente caiu na risada.

Aí entramos numa livraria. Porque, claro, eu não resisto. Fiquei folheando livros, lendo as páginas, abraçando capas como se fossem velhos amigos. A Sofia me observava com aquele olhar de “lá vem ela”.

— Você entra em outro mundo aqui dentro, né? — ela comentou.

— Entro — respondi. — E não quero sair.

Depois fomos na praça de alimentação. Pedimos coisas diferentes, como sempre. Eu escolhi algo confortável, conhecido. Ela foi mais ousada. Sentamos numa mesa perto da janela.

E começamos a conversar sobre tudo. Sobre sonhos, inseguranças e planos que ainda não sabemos se vão dar certo.

Em algum momento, eu falei:

— Às vezes eu me sinto meio perdida.

Ela me olhou com atenção.

— Mas você continua andando — respondeu. — Isso já é muita coisa.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. Ela sempre tem esse dom de dizer coisas simples que ficam ecoando.

A gente ficou ali, comendo devagar, observando as pessoas passarem. Casais. Famílias. Crianças correndo. Gente sozinha. Gente conversando alto. Gente no próprio mundo.

E eu pensei: cada pessoa ali tem uma história inteira acontecendo por dentro.


Depois, fomos numa loja de coisas fofas. Cadernos, canecas, pelúcias, luzinhas. Ah, meu ponto fraco…

Peguei um ursinho e abracei.

— Eu não preciso disso — falei.

— Precisa sim — a Sofia respondeu. — Pela sua saúde emocional.

Enfim, no final da tarde, sentamos num banco, cansadas, com sacolas no pé e sorrisos no rosto. O movimento diminuindo. A luz mudando. O dia se despedindo devagar.

— Foi bom hoje — eu falei.

— Foi — ela respondeu. — A gente bem que tava precisando mesmo.

E era verdade. Não tinha sido nada extraordinário. Nenhuma viagem. Nenhum evento. Nenhuma grande conquista.

Era só uma tarde comum. Mas uma tarde cheia de presença.

Voltando pra casa, eu pensei no quanto momentos assim são importantes. No quanto amizades como a da Sofia são presentes silenciosos. Pessoas que ficam. Que escutam. Que não competem. Que não apressam. Que caminham junto.

Ela me lembra que eu não preciso carregar tudo sozinha. Que eu posso descansar em alguém. Que eu posso rir de mim mesma e posso existir sem me explicar o tempo todo.

Talvez seja isso que faz essas saídas tão especiais.

Não é o lugar. É mais sobre a companhia.

E eu sou muito grata por ter a Sofia na minha vida 💛✨

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