Resenha – Moonlight: Sob a Luz do Luar

Tem histórias que a gente não entende de cara. Elas chegam como uma brisa tímida, e só depois a gente percebe que estavam dizendo tudo que a gente precisava ouvir.
Às vezes, elas nem parecem histórias. Parecem memórias que não são exatamente nossas — mas que nos tocam como se fossem. E é aí que mora a força de um filme como Moonlight.

Eu não planejava assistir Moonlight naquele dia. Foi um daqueles filmes que aparecem na tela como quem sussurra bem atrás do seu ouvido. Dizendo “confia em mim”…

E eu confiei. Estava num momento em que tudo parecia barulhento demais por dentro, e foi no silêncio desse filme que eu consegui me escutar de novo.


Sobre o filme (sem spoilers)

Moonlight: Sob a Luz do Luar é um filme dirigido por Barry Jenkins, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2017.
A história acompanha a vida de Chiron, um garoto negro crescendo em um bairro periférico de Miami. Mas o que faz esse filme tão diferente é a forma como ele escolhe contar essa trajetória — em três atos, três idades, três versões de um mesmo coração tentando sobreviver, se entender, se permitir sentir.

Não espere um roteiro cheio de reviravoltas ou cenas marcadas por grandes diálogos. Moonlight é feito de silêncio, de gestos contidos, de olhares que duram meio segundo a mais, de conversas que não chegam a acontecer.
É sobre tudo o que fica guardado quando não se tem espaço pra ser quem se é.
E, por isso mesmo, talvez seja uma das obras mais sensíveis que já vi sobre crescer, se calar e, ainda assim, sonhar com o afeto.


O que me tocou

Praticamente todos os filmes contam uma história. Moonlight escuta uma história.

Chiron quase não fala. Mas a câmera escuta seus silêncios com tanto cuidado que a gente acaba sentindo por ele — e com ele.
O filme me fez pensar nas muitas formas de solidão — não só a de estar só, mas a de não ser visto, de precisar esconder o que sente, de nunca ter aprendido como é ser acolhido.

É impossível não se identificar em algum nível. Porque todo mundo já sentiu que precisava caber em um molde que não servia. Todo mundo já escondeu alguma parte de si com medo de não ser aceito.
E nesse ponto, Moonlight se aproxima devagar, como quem respeita o tempo de cada ferida.

A fotografia é um espetáculo à parte. Os tons azulados, os reflexos de luz na pele, o mar que aparece como um lugar de respiro e entrega… Tudo é poesia visual.
Uma das cenas mais lindas do filme acontece justamente nesse mar. E eu não vou contar o que acontece — mas posso dizer que me fez respirar mais fundo. Porque é nesses detalhes que o filme se revela inteiro.

Moonlight é sobre identidade, masculinidade, afeto e sobrevivência. Mas também é um lembrete sutil de que o amor — em todas as suas formas — ainda pode existir, mesmo nos lugares mais improváveis.


Pra quem é essa história?

Se você já se sentiu fora de lugar. Se cresceu engolindo palavras. Se carrega alguma versão de si que ainda não sabe se pode existir… esse filme talvez te acolha. Talvez te veja.
Talvez te diga, baixinho, que tá tudo bem não saber direito quem se é — e que tá tudo bem mudar com o tempo também.

Moonlight não é sobre entender. É sobre sentir.
E às vezes, tudo o que a gente precisa é de uma história que nos permita existir em silêncio.

Não é um filme pra assistir com pressa. É daqueles que pedem que a gente fique, respire, escute, se permita sentir. É mais experiência do que narrativa. E, justamente por isso, continua reverberando muito depois do final.


Um pouco além do filme

Depois que o filme acabou, fiquei ali, parado, em silêncio.
Não sabia bem o que estava sentindo, mas sabia que algo tinha mudado.
Aquele tipo de mudança que não grita. Só pulsa, como uma maré que vai e volta.

Percebi que Moonlight não é só um filme sobre Chiron. É um filme sobre todas as pessoas que cresceram em silêncio. Sobre todos que já se perguntaram se havia lugar no mundo pra quem eles realmente são.
E talvez seja por isso que a história dele tenha se tornado, de certa forma, também um pedacinho da minha.

É curioso como algumas obras não apenas nos tocam — elas nos traduzem.
E Moonlight fez isso comigo. Me traduziu em gestos pequenos, em pausas, em olhares perdidos.


Assista com o coração aberto

Se quiser mergulhar nessa história, Moonlight está disponível na Netflix.

Se você é do tipo que passa mais tempo escolhendo o que assistir do que vendo o próprio filme… talvez Moonlight resolva esse dilema rapidinho.
Escolhe ele. Sem medo. Depois me conta.

Mas assista com calma. Deixe que ele fale no tempo dele. E permita que o silêncio dele converse com o seu.


Me conta o que achou

E você? Já viu Moonlight?

Tem alguma cena que ficou com você? Algum filme ou livro que tenha te escutado de um jeito parecido?

Me conta nos comentários — vou adorar ler. E quem sabe a sua sugestão não vira a próxima resenha aqui do blog?

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