Análise Mais Profunda: Viva – A Vida é uma Festa

Hoje, eu quero fazer uma coisa diferente. Dessa vez, eu trouxe uma animação.

Os filmes da Pixar sempre me pegam de um jeito que eu não espero. À primeira vista, parecem histórias leves, feitas pra encantar. Mas basta alguns minutos e pronto: já tem alguma pergunta silenciosa cutucando lá dentro. Já tem uma cena que parece falar comigo, como se tivesse sido escrita só pra mim.

A gente acha que vai só assistir a uma animação bonita, com músicas contagiantes e personagens carismáticos. Mas, de repente, algo vira. A garganta aperta. O coração também. E, quando a gente vê, tá chorando por algo que nem sabe explicar direito.

“Viva – A Vida é uma Festa” foi assim pra mim.

No começo, tudo parece leve: um menino que ama música, mas vive numa família que a proíbe. Só que logo a história começa a se desenvolver. A tocar em ausências. Em silêncios herdados. Em dores que atravessam gerações. E a gente percebe: esse filme não é só sobre seguir um sonho. É sobre lembrar. Sobre ser lembrado.

Miguel não quer só cantar. Ele quer ser visto. Quer ser compreendido. Quer se conectar com algo que é maior que ele. E, no caminho, ele encontra o mundo dos mortos — um lugar vivo, colorido, pulsante, onde as memórias têm peso e presença. E é ali que o filme diz sua maior verdade: ninguém parte de verdade enquanto é lembrado.

Essa ideia me atravessou. Porque quantas pessoas a gente já perdeu fisicamente, mas que ainda moram dentro da gente? Em cheiros. Em músicas. Em receitas. Em pequenos gestos que herdamos sem perceber. A memória, às vezes, é o único lar onde alguém pode continuar existindo.


O que mais me tocou foi a maneira como o filme fala sobre as histórias que nos contaram — e as que nos esconderam. Porque nem sempre a verdade que recebemos é inteira. Tem sempre alguém que foi silenciado, alguém que foi mal compreendido, alguém que virou rascunho na árvore genealógica.

E aí vem o Miguel, com sua curiosidade e seu coração teimoso, refazendo caminhos, unindo pontas soltas, devolvendo voz a quem foi esquecido.

A cena mais marcante pra mim envolve uma música, um violão e um olhar cheio de saudade. É simples. Quase silenciosa. Mas carrega o mundo inteiro dentro dela.

Ali, o tempo parece parar. O som do violão não é só melodia — é memória. É como se cada acorde puxasse uma lembrança do fundo do peito. A música, cantada com tanta delicadeza, se transforma num abraço invisível, numa ponte entre quem foi e quem ainda é.

E o olhar… aquele olhar diz tudo sem dizer nada. É um olhar que reconhece. Que entende. Que sente falta. Um olhar que pede desculpas, que oferece amor, que segura a dor com cuidado. Um olhar de quem sabe que nem sempre dá pra consertar o passado, mas que, mesmo assim, tenta.

Essa cena me atravessou porque ela não grita. Ela sussurra. Ela não explica — ela sente. E talvez por isso tenha me desmontado tanto. Porque às vezes a saudade não vem com palavras, vem com um som familiar e a certeza de que aquilo, mesmo que tenha passado, foi amor.

É ali que tudo se costura — o amor que ficou, a perda que doeu, a lembrança que insiste, o perdão que chega devagar.

Eu chorei como se tivesse reencontrado alguém que nem sabia que estava procurando. Como se, por alguns minutos, a infância tivesse voltado, com suas ausências, suas perguntas e aquela vontade de entender o que a gente sente, mesmo quando não tem nome.


Depois que o filme acabou, fiquei pensando nas histórias que deixamos de contar. Nos nomes que vão sumindo nas fotos antigas. Nos vínculos que não sabemos de onde vieram, mas que moldam quem somos. E me deu uma vontade enorme de perguntar mais sobre minha família. De ouvir mais. De lembrar mais.

“Viva” me ensinou — ou talvez só me lembrou — que as raízes não servem pra nos prender. Elas existem pra nos dar força. Pra gente saber de onde vem antes de decidir pra onde vai.

E você? Já viu esse filme? Ele te tocou também?

Se quiser, me conta nos comentários. Ou me indica outras histórias que te atravessaram de um jeito que você nem esperava. Vai ser lindo continuar essa conversa por aqui na categoria Análises Mais Profundas.

Até a próxima. 💛🌼

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