Análise Mais Profunda: O silêncio de Elio, o adeus de Oliver

Algumas histórias não terminam quando os créditos sobem ou quando a última página vira. Elas se instalam na sua alma e você as carrega para toda a vida. É como uma música que fica na cabeça, mesmo depois que para de tocar.

“Me Chame Pelo Seu Nome” foi esse tipo de história pra mim. Só que o que mais ficou não foi o romance em si. Foi o que sobrou depois.

Elio, pra mim, é o retrato de um sentir que não encontra vazão. Alguém que sente tudo com tanta intensidade — o desejo, a confusão, a vergonha, a beleza — mas que só consegue expressar pelas bordas: pela música, pela escrita, pelos olhares que fogem.

E Oliver… ah, o Oliver. Tão cheio de presença e, ao mesmo tempo, tão ausente. Desde o começo, ele é uma promessa de algo que talvez não possa durar. E não dura.

A cena da despedida me destrói sempre. Não só porque é triste, mas porque é silenciosamente real. A forma como a ausência vai se instalando. Como as palavras não bastam. Como o tempo, de repente, vira um divisor de águas.

Mas tem algo que me marcou ainda mais: a conversa entre Elio e o pai.

Aquela conversa sobre não matar os sentimentos difíceis, sobre não se apressar em deixar de sentir. Sobre permitir-se viver mesmo o que dói. Acho que nunca tinha lido uma cena entre pai e filho tão cheia de verdade. E me perguntei: quantos de nós crescemos ouvindo que o melhor é esquecer rápido? Que amar demais é fraqueza? Que a dor é algo pra ser escondido?

A arte de Aciman é justamente essa: fazer a gente sentir saudade de um sentimento que nem foi nosso. E aí a gente se dá conta de que já viveu algo parecido. Talvez não em um verão na Itália. Mas em um olhar não correspondido. Em uma carta não enviada. Em um “fica” que nunca foi dito.

O filme traduz tudo isso com uma delicadeza que beira o insuportável. A cena final, com Elio diante da lareira, chorando em silêncio, enquanto os nomes ainda ecoam na mente — Elio, Oliver — é quase uma oração.

Aquela dor ali é uma dor que amadurece. Que não vira amargura. Que não vira raiva. Vira memória.

E talvez seja isso que me fez amar tanto essa história: ela não tenta consertar o que é impossível. Só acolhe. Só mostra. Só deixa a gente sentir também.


Depois que terminei de ler o livro e assisti ao filme, fiquei alguns dias meio diferente. Sabe quando parece que alguma coisa em você foi reorganizada, mas você ainda não sabe dizer o quê?

Eu pensei muito sobre as vezes em que senti algo e guardei. Sobre todos os “quases” que deixei pra lá porque não sabia o que fazer com eles. Sobre pessoas que passaram por mim como o Oliver passou por Elio — deixando marcas suaves, mas impossíveis de apagar.

Teve uma época em que eu acreditava que só os amores que duravam muito é que eram importantes. Hoje eu entendo que tem amores que duram o tempo exato que precisavam durar. E que nem por isso doem menos.

Essa história me ensinou — ou talvez só me lembrou — que sentir é uma forma de existir. E que não tem nada de errado em não saber o que fazer com um sentimento. Tem beleza nisso também.

A arte tem esse poder estranho de fazer a gente se reconhecer em lugares que nunca visitou. Eu nunca passei um verão na Itália. Mas eu sei exatamente como é aquele vazio depois que alguém vai embora. Sei como é guardar um nome na garganta. Sei como é aquele silêncio depois de um beijo.


E você? Já sentiu algo parecido?

Me conta nos comentários. Quero muito saber como essa história chegou até você. Ou, se ainda não chegou, talvez agora seja a hora. 💛

E se tiver livros, filmes ou músicas que te atravessaram desse mesmo jeitinho, me indica! Vai ser lindo transformar essas histórias em mais reflexões aqui na categoria Análises Mais Profundas. Até a próxima. 🌿

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