Dia dos Namorados (e os laços que não cabem em rótulos)

Hoje é Dia dos Namorados. E se você espera um post cheio de clichês românticos e declarações melosas… talvez esse não seja exatamente o texto que você estava procurando. Mas se você, assim como eu, já viveu amores que não sabiam bem o que eram, laços que desafiaram nomes e definições, e histórias que ficaram entre o quase e o inesquecível… então senta aqui um pouquinho.

Eu nunca namorei. Nunca recebi uma carta cheia de coraçõezinhos, nem um buquê surpresa, nem um “bom dia, meu amor” com emoji de flor. E mesmo assim, eu tenho muito o que dizer sobre esse dia. Porque mesmo sem um namoro no papel, eu já amei. Já senti aquele frio na barriga, já me peguei sorrindo sozinha só de lembrar de uma conversa boa, e já chorei de saudade também.

E talvez seja por isso que eu me apeguei tanto à história do Carlos e da Bárbara. Porque eles também não são namorados. Nunca foram. E ainda assim… tem algo entre eles. Uma coisa que não tem nome, mas tem gesto. Tem cuidado. Tem silêncio confortável. Tem aquele olhar que entende tudo sem precisar explicar. Eles são a prova de que às vezes, o que a gente sente não precisa caber numa definição pronta.

Eu não acredito muito em amor à primeira vista. Acho que amor de verdade é construído aos poucos. Mas… às vezes tem algo no olhar, uma calma que bate no peito, uma sensação de que você conhece a pessoa há muito tempo. Já sentiu algo assim? Posso dizer que é muito raro. Mas quando acontece… é bonito demais.

Hoje em dia, com tantos aplicativos, redes sociais e infinitas opções, às vezes parece que todo mundo está “namorando” e, ao mesmo tempo, ninguém está. As relações ficaram meio descartáveis, sabe? Se um não responde, já tem outro na fila. Se algo incomoda, é mais fácil desistir do que conversar. E eu fico pensando… como a gente vai conseguir construir algo profundo se a gente não se permite ficar?

Não me entenda mal. Eu acho que é totalmente possível amar através das telas. A gente pode criar conexões lindas por mensagens de voz, por chamadas de vídeo e por textos longos no WhatsApp. Mas isso só funciona quando tem entrega dos dois lados. Quando não existe aquele joguinho de quem se importa menos. Quando existe vulnerabilidade.

Eu fico pensando muito nisso. Porque no fundo, o que todo mundo quer é amar e ser amado. Só isso. Amar e ser amado de verdade. Sem precisar fingir, sem ter que esconder os defeitos, sem precisar parecer mais legal do que realmente é.

Eu também queria isso. Queria ter alguém que gostasse de mim do jeito que eu era. Com as minhas esquisitices, com o meu jeito mais quieto, com as minhas pausas antes de responder. Alguém que não me achasse estranha só porque eu gosto de silêncio, ou porque às vezes preciso de um tempo sozinha. Eu só queria alguém que fosse meu amigo de verdade. Que estivesse ali, de verdade. Nada forçado. Nada que eu precisasse me moldar pra caber.

Escrever um livro foi isso pra mim. Uma forma de dar voz a todos esses sentimentos bagunçados que estavam aqui dentro. Eu não sabia nomear tudo, mas eu sabia sentir. E se você já se sentiu assim — perdido em meio a um monte de sentimento sem nome — talvez entenda do que eu tô falando.

Hoje, no Dia dos Namorados, eu quero celebrar os laços que não têm nome. Quero celebrar o quase, o talvez, o ainda não. Quero celebrar quem já me fez sorrir com uma mensagem inesperada, quem já me ouviu num momento ruim, quem já me ofereceu companhia mesmo sem saber muito bem o que a gente era. Quero celebrar o afeto que não precisa de moldura pra ser bonito.

E, acima de tudo, quero lembrar que a gente não precisa estar num relacionamento pra viver o amor. O amor pode estar num café com uma amiga, num carinho que a gente faz em si mesmo, numa lembrança boa que mora no peito.

Carlos e Bárbara me ensinaram isso. E, de certo modo, eu ensinei isso pra mim mesma enquanto escrevia sobre eles.

Se você tem um amor pra chamar de seu, que bom. Celebre. Se você está vivendo um quase, cuide com carinho. E se você está só, lembre-se: a companhia mais importante que você vai ter na vida é a sua. Se ame. Se escute. E se permita sentir.

Porque, o que vale mesmo é a verdade do que a gente vive. Mesmo que não tenha nome. Mesmo que não vire história pra contar. E, por fim, eu quero lembrar que existem muitas formas de amar. Tem o amor que é amizade. O que é cuidado. O que é memória boa. O que é carta não enviada. E tem o amor que é esperança. Aquele que faz a gente continuar acreditando que ainda vai ser compreendido. Que ainda vai encontrar alguém que goste da gente do jeitinho que a gente é.

Feliz Dia dos Namorados, do seu jeito.

Com carinho,
Meli 💝

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também:

    0
    Seu Carrinho
    Seu carrinho está vazioVoltar à Loja