O dia em que eu conheci o cubo mágico (e como ele virou meu companheiro de aventuras)

Tudo começou de um jeito bem simples, como tantas outras histórias que viram lembranças bonitas depois. Era uma tarde qualquer no meu prédio. O sol estava caindo com aquela luz amarelada que deixa tudo mais bonito, e eu estava voltando do mercado, distraída com meus pensamentos, quando vi um grupo de crianças sentadas no pátio, rindo, conversando, e — o que mais me chamou atenção — girando uns cubinhos coloridos com uma rapidez impressionante.

Fiquei ali observando por alguns segundos, encantada com a agilidade dos dedinhos e o barulhinho dos cubos se movendo. Me aproximei com aquele sorriso curioso que não dá pra esconder e perguntei:

— Ei, qual é o segredo pra resolver esse negócio?

Elas riram, como se eu tivesse feito a pergunta mais divertida do dia. Uma das meninas respondeu:

— Tem uma sequência de movimentos que você aprende. É tipo uma mágica com lógica!

O jeito leve com que ela disse isso me deu vontade de rir também. Era como se aquele quebra-cabeça tivesse virado uma brincadeira secreta entre eles. Fiquei um pouco mais ali, ouvindo as conversas e observando. Depois fui pra casa, mas aquela imagem ficou comigo. Era só um brinquedo, eu sabia. Mas alguma coisa em mim dizia que tinha algo ali esperando pra ser descoberto.

Dias depois, entre um chá e outro, resolvi procurar um cubo na internet. Achei um por 30 reais. Nada sofisticado, mas colorido o suficiente pra me animar. Quando ele chegou, abri o pacote como quem abre um presente.

Naquele primeiro contato, já deu pra perceber que o cubo não era tão simples quanto parecia. Tinha uma beleza ali — um tipo de ordem escondida no meio do caos. Claro que a primeira coisa que fiz foi embaralhar tudo. Afinal, era pra isso que ele existia, né? Mas quando tentei resolver… bom, digamos que não foi exatamente um sucesso.

Sabia que isso diz muito sobre a minha personalidade? Antes mesmo de procurar um tutorial, tentei sozinha. Me perdi, fiz confusão, desfiz o pouco que tinha feito — mas continuei insistindo. Sempre fui assim: gosto de entender as coisas por dentro, de errar e acertar com as minhas mãos antes de pedir ajuda.

Só que chegou uma hora em que eu percebi que estava girando em círculos, literalmente. Foi aí que fui atrás de uma ajudinha. E caí numa série de vídeos do canal Manual do Mundo. Aqueles tutoriais tinham uma simplicidade didática que me conquistou logo de cara. Ouvindo com atenção, percebi que o segredo estava em entender as camadas e seguir algumas etapas com paciência.

Uau. Eram muitos movimentos. E cada um tinha sua ordem, sua lógica, seu ritmo. Comecei a anotar tudo em um papelzinho: as fórmulas, os passos, as siglas. Aprendi que R é girar a face da direita no sentido horário. R’ é no sentido anti-horário. R2 são duas vezes. E assim com U, F, L, D, B…

Foi como aprender um novo idioma. E, como todo idioma, exige prática.

Nos primeiros dias, o papelzinho era meu mapa do tesouro. Eu olhava pra ele como quem olha pra um velho amigo. Com o tempo, as mãos foram decorando os passos. Até que um dia — nem lembro exatamente quando — consegui resolver o cubo inteiro sem olhar o papel.

Confesso: dei um gritinho de felicidade. 🥳

Aquela pequena vitória me fez perceber que o cubo tinha se tornado mais do que um passatempo. Ele se tornou um exercício de concentração, paciência e persistência. Um lembrete de que as coisas podem parecer confusas no início, mas sempre existe um caminho de volta à ordem.

O cubo me ensinou muito. A respirar fundo quando erro. A aceitar que cada etapa tem seu tempo. Que não dá pra pular fases. Que, às vezes, é preciso desfazer o que foi feito pra conseguir avançar. Lições simples, mas que tocam fundo quando a gente menos espera.

E mais: ele virou assunto de conversa. Com o tempo, comecei a carregar o cubo na bolsa. Em filas, cafés, salas de espera… sempre tinha alguém que olhava curioso. Às vezes, uma criança puxava assunto. Às vezes, um adulto que também já tentou e desistiu. Era uma ponte entre mundos diferentes. Um convite pra conversar.

Acho que é por isso que o cubo mágico faz tanto sucesso, principalmente entre as crianças. Ele mistura desafio com cor, raciocínio com brincadeira. Ele exige esforço, mas recompensa com beleza. É um quebra-cabeça que treina a mente sem parecer obrigação.

Hoje, quando olho pra ele, vejo mais do que um cubo. Vejo todas as vezes que quase desisti. Vejo as crianças lá no pátio me ensinando sem perceber. Vejo a versão de mim mesma que descobriu, aos poucos, que ainda era capaz de aprender algo novo do zero. Isso, pra mim, é mágico.

E se você chegou até aqui, talvez seja hora de embaralhar também.

Não precisa ser rápido. Nem perfeito. Basta ter curiosidade.

Pode ser que você se apaixone por esse desafio colorido do mesmo jeitinho que eu me apaixonei. No seu ritmo, com as suas descobertas. E quem sabe, um dia, você também se veja explicando pra alguém como funciona a tal sequência mágica.

E tudo isso por causa de um brinquedo que só me custou 30 reais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja Também:

    0
    Seu Carrinho
    Seu carrinho está vazioVoltar à Loja