Outro dia, no meio da livraria, vi uma menininha abraçada a um Stitch de pelúcia que era quase do tamanho dela. Ela ria sozinha, apertando o boneco contra o peito, enquanto o pai procurava por um presente de aniversário. E eu ali, parada, olhando a cena como quem assiste a um filme antigo passar na vitrine da vida. Não sei por quê, mas aquilo me deixou com os olhos brilhando.
Talvez seja porque Stitch tem esse poder esquisito e mágico de tocar a gente em lugares profundos — mesmo quando a gente acha que já cresceu.
O filme Lilo & Stitch foi lançado em 2002. Nem eu e, provavelmente, nem você tínhamos nascido ainda. E, mesmo assim, aqui estamos, mais de vinte anos depois, cercados por estojos, mochilas, camisetas, cadernos, adesivos, pelúcias e até jogos de cama com o rostinho azul desse alienígena bagunceiro.
Ele virou um fenômeno. Um clássico que escapou da prateleira do “antigo” e virou o queridinho da nova geração.
E eu entendo completamente.
Stitch não é só um personagem fofinho (apesar de ser um dos mais adoráveis que já existiram). Ele é caótico, divertido, barulhento, intenso. Mas, acima de tudo, é carente. Tem um coração enorme escondido atrás de atitudes impulsivas. É sensível, mesmo sem saber lidar com os próprios sentimentos.
E talvez — só talvez — seja por isso que as crianças se identificam tanto com ele. Porque crescer também é isso: um turbilhão de emoções que a gente nem sempre sabe nomear. É querer pertencer a algum lugar, mesmo quando o mundo parece todo estranho. É sentir saudade, querer colo, fazer bagunça e ainda assim querer ser amado do jeitinho que a gente é.
E aí entra a Lilo, que olha pra ele com olhos diferentes. Ela o escolhe. Dá um nome, dá um lar, dá paciência. Ensina a ele algo que virou frase famosa: “Ohana significa família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer.”
É simples. Mas é também profundo.
E é disso que eu gosto nos filmes infantis que sobrevivem ao tempo: eles falam com as crianças de forma divertida, mas deixam recadinhos escondidos pra gente encontrar depois, quando cresce. Como se fosse uma cartinha no bolso que só pode ser lida na hora certa.
Stitch me lembra disso.
Eu lembro que vi o filme pela primeira vez na casa de uma amiga da escola. A gente devia ter uns sete ou oito anos. Rimos tanto da cena em que ele toca Elvis e causa um caos completo no centro da cidade. Mas no fim, quando ele repete aquela frase sobre Ohana com a voz baixinha e os olhos cheios de lágrimas… eu chorei. E fingi que não. Mas senti.
Esse sentimento ficou guardado. E eu só fui perceber o quanto aquilo me marcou anos depois.
Agora, em 2025, o novo filme live-action acabou de esttear nos cinemas. Confesso que fico com um pé atrás (como toda pessoa que ama a versão original), mas também estou curiosa. Será que vão conseguir preservar a delicadeza da história? Será que o Stitch vai continuar sendo esse monstrinho adorável que entende tanto sobre o que é ter ou perder uma família?
Só sei que a Bárbara adoraria ver esse filme. Aposto que ela também ficaria olhando a tela como se estivesse ouvindo uma história que já viveu. Porque, de certo modo, Lilo & Stitch é uma história que muitos de nós conhecemos bem: a de se sentir sozinho e encontrar, mesmo sem querer, alguém que nos acolha.
E pensando nisso, fico feliz que o Stitch ainda esteja por aí, ganhando novos fãs, aquecendo novos corações. Ele é um lembrete constante de que ninguém precisa ser perfeito pra ser amado. E de que as famílias que a gente constrói — com afeto, com aceitação, com o tempo — são tão importantes quanto as que a gente nasce dentro.
Então, se você também cresceu com esse filme, ou se descobriu ele agora, talvez entenda o que eu estou dizendo.
No fim das contas, Ohana não é só uma palavra bonita em havaiano.
É uma promessa silenciosa: a de estar presente, de cuidar, de lembrar. E de acolher os que se perdem no caminho — inclusive nós mesmos, de vez em quando.
Se você chegou até aqui, espero que esse texto tenha aquecido alguma memória boa aí dentro. Se quiser me contar qual era o seu filme favorito da infância, eu vou adorar ler.
O Dia Em Que Eu Saí Para Resolver Uma Coisa… E Voltei Com Cinco
Eu saí de casa com um plano muito claro na cabeça. Muito claro mesmo. Precisava


