Quando o Coração Fica Cheio Demais

Tem dias em que o peito parece pequeno demais para tudo o que a gente sente. É como se as emoções se acumulassem, uma em cima da outra, sem pedir licença. Alegria, saudade, medo, esperança, cansaço, vontade de sumir, vontade de ficar. Tudo junto. Tudo misturado. E sem manual de instruções.

O Dia em Que Nada Estava Errado — Mas Tudo Estava Pesado

Acordei sem motivo para estar triste. Nada de ruim tinha acontecido. Ninguém tinha sido grosseiro. Nenhuma notícia tinha abalado meu dia. Nenhuma perda recente. E, ainda assim, eu estava cansada. Cansada por dentro, com aquele peso que não aparece no corpo, mas se instala na alma.
Levantei, arrumei a cama, preparei o café, respondi mensagens, cumpri tarefas. Fiz tudo certo. Fiz tudo como sempre. Mesmo assim, parecia faltar alguma coisa. Ou talvez sobrar. Um excesso de pensamentos, de expectativas, de sentimentos que eu não sabia exatamente onde guardar.


Quando Nem a Gente Sabe Explicar

O mais difícil nesses dias é explicar. Como explicar um vazio que não é vazio? Como explicar um aperto sem motivo? Como explicar lágrimas que não caem, mas ficam presas na garganta?
Às vezes, a gente tenta simplificar: “É só cansaço.” “É fase.” “Vai passar.” E pode até ser. Mas, enquanto não passa, dói. Dói em silêncio. Dói escondido atrás de sorrisos automáticos e respostas prontas.

A Solidão Que Existe Mesmo Acompanhada



Existe uma solidão que não depende de estar sozinho. Ela aparece no meio da conversa, no meio da risada, no meio da rotina. É quando você percebe que ninguém está exatamente onde você está por dentro.
E tudo bem. Nem sempre dá para dividir tudo. Nem sempre dá para encontrar as palavras certas. Mas, às vezes, cansa guardar. Cansa fingir que está tudo organizado quando, por dentro, está tudo meio bagunçado.

As Pequenas Epifanias

Foi no meio desse dia estranho que algo simples aconteceu. Nada grandioso. Nenhuma revelação cinematográfica. Só uma frase num livro: “Você não precisa estar bem o tempo todo.”
Li. Reli. Fechei o livro. Respirei. Chorei um pouco. Não de tristeza, mas de alívio. Porque, naquele momento, alguém tinha conseguido colocar em palavras aquilo que eu não conseguia. Alguém tinha me lembrado de que eu não precisava ser forte o tempo inteiro.

O Poder de Ser Compreendido

Talvez seja por isso que a gente escreve, lê e procura histórias. Para se sentir menos estranho, menos exagerado, menos fraco. Para se sentir mais humano.
Quando alguém diz “Eu também sinto isso”, o peso diminui. A culpa some. O coração descansa um pouco. A gente percebe que não está sozinho dentro da própria cabeça.

Sentir muito não é defeito. É forma de existir. É perceber o mundo em camadas. É se importar demais. É se machucar às vezes. Mas também é amar fundo, criar fundo, viver fundo.
A sensibilidade não é fragilidade. É coragem. É continuar sentindo, mesmo depois de tantas decepções, mesmo depois de tantos cansaços.

Para Quem Está Cansado Agora

Se você está lendo isso com o coração pesado, eu quero que saiba: eu te vejo. Mesmo sem te conhecer. Mesmo sem saber seu nome. Você não está fraco. Você está sentindo. E isso exige força.
Existem dias em que sobreviver já é uma vitória. Em que levantar da cama já é um ato de coragem. E, nesses dias, você merece respeito, cuidado e paciência consigo mesmo.

Você não precisa ter tudo resolvido. Não precisa ser forte o tempo todo. Não precisa sorrir sempre. Você pode pausar, respirar, recomeçar devagar, quantas vezes for preciso.
A vida não é uma linha reta. Ela é feita de curvas, paradas, recomeços e aprendizados silenciosos.


Tem algo aí dentro que você nunca conseguiu colocar em palavras? Uma saudade? Um medo? Um sonho? Uma dúvida?
Se quiser, compartilha nos comentários. Este espaço também é seu. Aqui, ninguém precisa fingir que está bem o tempo todo 💙📖✨

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