Tem dias em que a gente acorda como se o mundo estivesse em silêncio, mesmo que tudo lá fora continue no mesmo ritmo de sempre.
O despertador toca, a luz entra pela janela, as mensagens começam a chegar… mas nada parece te puxar de verdade pra vida. Você levanta, escova os dentes, toma o café, faz tudo no automático. Mas por dentro… por dentro parece que algo está faltando — e você nem sabe o quê.
Não é tristeza exatamente. Também não é cansaço. É só… um espaço. Um espaço grande demais pra não ser notado, mas silencioso o bastante pra você quase fingir que não tá ali. Um vazio que grita, mas sem fazer barulho.
Às vezes, a gente chama isso de solidão. Outras vezes, de falta de sentido. Pode até ter nomes mais bonitos, como transição, pausa, recomeço. Mas, no fundo, talvez seja só o coração pedindo pra ser ouvido. Não com soluções, conselhos ou promessas de que “vai passar”. Só ouvido mesmo.
Porque tem momentos em que tudo o que a gente precisa é sentar em silêncio e admitir: “Hoje, eu não sei bem o que estou sentindo.” E tudo bem. De verdade. Nem todo sentimento precisa ter nome. Nem toda dor precisa fazer sentido. E nem todo vazio precisa ser preenchido imediatamente.
A gente vive num mundo que valoriza muito as respostas rápidas. O “tô bem”, o “vai dar tudo certo”, o “sai pra distrair a cabeça”. E tudo isso tem seu valor, claro. Mas tem dias em que nenhum desses atalhos funciona. Porque tem coisas que a gente só atravessa se tiver coragem de ficar ali por um tempo, dentro daquilo. Só sentindo. Só sendo.
Escrevendo aqui agora, percebi quantas vezes eu já me senti assim também. Como se estivesse andando por dentro de um nevoeiro — vendo as coisas, mas sem conseguir tocá-las direito. Tudo meio embaçado, meio distante. Já tentei fugir disso, preencher cada silêncio com barulho, cada vazio com pressa. Me joguei no trabalho, maratonei séries, fiz listas de metas. Mas nada parecia encaixar direito.
Foi com o tempo — e com muita tentativa e erro — que aprendi que tem sentimentos que só querem ser acolhidos, não resolvidos. Às vezes, tudo o que você pode fazer é colocar uma música baixinha, se deitar um pouco, tomar um chá quente… e se permitir sentir.
E eu sei que isso pode parecer pouco. Parece que você deveria estar fazendo mais, se esforçando mais, resolvendo logo o que quer que esteja te travando. Mas e se o caminho for justamente o contrário? E se a cura não vier da força, mas da delicadeza?
Tem aprendizados que só chegam quando a gente aceita não entender. Tem beleza também na pausa, no suspiro, no não saber. Porque é ali, no meio do incômodo, que algumas respostas começam a nascer — bem baixinho, no nosso tempo. Como sementes silenciosas de algo que ainda vai florescer.
Outro dia, folheando um caderno antigo, encontrei uma frase que escrevi há anos e nem lembrava mais: “O silêncio também fala — só que em outra língua.” Aquilo me fez sorrir, porque é verdade. Tem dias em que é o silêncio que nos salva. Que nos ensina. Que nos coloca frente a frente com partes nossas que a correria da vida tinha escondido.
Esse espaço aqui, esse blog, nasceu disso: da vontade de traduzir o que às vezes a gente só sente, mas não sabe dizer. Um lugar pra gente se lembrar que não precisa estar tudo resolvido o tempo todo. Que a vulnerabilidade também é um caminho de afeto.
E eu fico imensamente grata por saber que, talvez, essas palavras encontrem alguém que esteja precisando delas hoje.
Se for o seu caso… respira fundo. Você não tá sozinho(a). Nem perdido(a). Talvez só esteja num momento mais lento, mais íntimo, mais interno. E tudo bem.
Aliás, talvez o vazio nem seja sinal de ausência. Talvez ele seja só o intervalo antes de uma nova melodia começar. Como o espaço entre dois parágrafos. Como o silêncio antes de uma ideia boa. Como aquela sensação de não saber ainda — mas estar pronto pra descobrir.
Então, se hoje for um desses dias, eu espero que você seja gentil consigo. Que se abrace com leveza. Que entenda que sentir demais não é fraqueza — é só mais uma forma de estar vivo.
E que, mesmo sem entender tudo agora, você confie que esse espaço aí dentro não é um fim… é só o meio do caminho.
O Dia Em Que Eu Saí Para Resolver Uma Coisa… E Voltei Com Cinco
Eu saí de casa com um plano muito claro na cabeça. Muito claro mesmo. Precisava


