Passei Numa Feira de Rua… E Voltei Cheia de Histórias

Meli na feira

Eu sempre vejo essa feira quando passo pela rua perto de casa. As barracas coloridas, as pessoas andando

devagar, o cheiro de comida no ar, as músicas tocando ao fundo. Durante muito tempo, ela fez parte do meu caminho, mas não da minha rotina. Eu passava, observava de longe, achava bonito… e seguia.

Não era indiferença. Era mais como se eu estivesse sempre com pressa demais para parar.

Até que, em um dia comum, sem grandes planos, eu decidi atravessar a rua e entrar.

Logo na entrada, senti que estava entrando em um universo diferente. O barulho da rua foi ficando distante, substituído por conversas, risadas, músicas tocando em caixinhas pequenas e vozes chamando clientes com carinho.

Era como se aquele espaço tivesse sua própria respiração. Tudo ali parecia vivo, em movimento, pulsando.

E eu, que só queria “dar uma olhadinha”, percebi que não sairia dali tão rápido.

Uma das primeiras barracas que me chamou atenção foi a de artesanato. Havia colares feitos à mão, pulseiras coloridas, quadros pintados com delicadeza, cadernos costurados manualmente. Cada objeto parecia ter uma história escondida.

Conversei com uma artesã que me contou que fazia tudo em casa, à noite, depois do trabalho. Aquilo me tocou profundamente, porque vi ali alguém colocando amor em cada detalhe, mesmo sem saber quem iria levar aquela peça.

Saí dali pensando em como tanta dedicação cabe em coisas aparentemente pequenas.

Mais adiante, fui guiada pelo cheiro.

Pastel fritando. Café passando. Bolo recém-assado. Milho cozido. Era impossível ignorar, né?

Comprei um pastel e um copo de caldo de cana e sentei num banquinho improvisado. Enquanto comia, observava as pessoas passando, conversando, rindo, reclamando do calor, comentando sobre os preços, trocando histórias.

Era simples… e bonito.

Em um canto da feira, um senhor tocava violão. Não era um show planejado. Não havia palco. Não havia holofote. Apenas ele, a música e quem quisesse ouvir.

Algumas pessoas pararam. Outras apenas passaram mais devagar. Eu fiquei lá por um tempo.

A música não era perfeita, mas era sincera. E, naquele momento, senti que ela combinava exatamente com o clima da feira: imperfeita, real, acolhedora.

Enquanto caminhava, comecei a reparar nas pessoas.

A senhora escolhendo frutas com cuidado. O casal jovem discutindo qual doce levar. A criança pedindo brinquedo. O vendedor contando piadas. Cada um ali carregava uma história inteira.

E, sem perceber, comecei a imaginar essas histórias, como se estivesse montando pequenos contos na minha cabeça. Foi ali que entendi: aquele lugar era uma fonte infinita de inspiração.

No meio daquele passeio, percebi algo importante.

Eu estava inteira ali. Sem pressa. Sem celular na mão o tempo todo. Sem pensar no que viria depois.

Eu estava… vivendo aquele momento.

Quando resolvi ir embora, já estava com sacolas na mão e o coração mais leve. Levei artesanato, comida, lembranças… mas levei principalmente sensações.

Voltei mais atenta. Mais grata. Mais presente.

E com a certeza de que, por muito tempo, passei por algo bonito sem perceber.


Você já parou em alguma feira de rua perto da sua casa?

Já se permitiu caminhar sem pressa, observar pessoas, sentir cheiros, ouvir sons e simplesmente estar ali?

Me conta nos comentários. Eu adoraria ler a sua história.

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