Eu vi o anúncio por acaso. Estava passando pela rua, olhando distraída para as vitrines, quando percebi um cartaz simples colado na porta de um centro cultural: “Aula aberta de arte. Entrada gratuita.” Não tinha muitos detalhes. Não explicava exatamente o que seria. Apenas convidava.
Eu passei reto. Depois voltei pra trás. Fiquei alguns segundos parada, olhando para aquele papel, como se estivesse esperando algum sinal.
E, sem saber muito bem por quê, resolvi entrar. Foi meio por impulso, sabe? Eu estava mais curiosa do que qualquer coisa.
Logo na entrada, senti aquele friozinho na barriga conhecido.
“E se eu não souber fazer nada?”
“E se todo mundo for talentoso?”
“E se eu passar vergonha?”
Esses pensamentos apareceram rápido, quase automáticos. Eu já estava pronta pra desistir antes mesmo de tentar.
Mas continuei tentando. Porque gosto de sempre tentar coisas novas, mesmo que eu não consiga de primeira.
E faz parte, né? Ninguém já nasce sabendo de tudo.
A sala era simples, mas acolhedora. Havia mesas espalhadas, potes com pincéis, tintas abertas, argila sobre panos úmidos, papéis, cadernos, lápis, canetas coloridas. Pessoas de todas as idades conversavam baixo, algumas já concentradas, outras ainda observando.
Ninguém parecia julgar ninguém. Ninguém parecia competir. Era só… um espaço para criar. E, uma coisa é fato, “criar” é quase o meu nome do meio.
Sentei em uma mesa perto da janela.
Peguei um pincel. Depois larguei.
Peguei um lápis. Depois mudei de ideia.
Peguei a argila e… Ai, meu Deus! Eu não sabia por onde começar. Então comecei do jeito que deu. Sem plano nenhum, só comecei.
Em certo momento, percebi algo importante. Ninguém estava olhando para o meu trabalho. Ninguém estava comparando. Ninguém estava esperando nada de mim.
Eu era livre para errar. Livre para apagar. Livre para recomeçar. E livre para fazer feio. Feio no sentido de que eu não precisava fazer tudo perfeitinho. E isso foi libertador.
Durante a aula, troquei algumas palavras com pessoas ao meu lado.
Uma senhora que fazia cerâmica como terapia. Um adolescente tentando desenhar pela primeira vez. Uma mulher que sempre sonhou em pintar, mas nunca teve coragem.
Cada um ali carregava sua própria história. E, por algumas horas, nossas histórias se cruzaram.
Quando a aula acabou, eu olhei para o que tinha feito.
Não estava incrível, nem digno de exposição. Mas era meu. E eu me senti orgulhosa por causa disso. Porque eu tentei. E percebi algo fundamental:
A gente não precisa ser boa para começar. A gente começa para, talvez, ficar boa um dia.
Na volta pra casa, fiquei pensando em quantas coisas deixei de viver por medo. Medo de errar. Medo de parecer boba. Medo de não ser suficiente.
Aquela aula me ensinou, sem discurso, que viver também é experimentar. É se permitir. É se arriscar em pequenas doses.
Mudou meu dia, o meu humor e até o meu olhar. Me lembrou que ainda existe curiosidade dentro de mim. Que ainda existe vontade de aprender. Que ainda existe espaço para novas versões de mim.
E você? Já deixou de tentar algo por medo de não ser bom o bastante? Já teve vontade de fazer uma aula, um curso, uma atividade… e desistiu antes mesmo de começar?
Se sim, me conta nos comentários. Vamos trocar experiências juntos 💙🎨✨



