Antes de Publicar — O Frio na Barriga, o Medo e a Coragem de Acreditar

Pessoa escrevendo em um caderno.

Tem uma parte de mim que está muito animada com esse livro. Animada com a capa, com as palavras, com as histórias, com a ideia de que, em breve, ele vai existir de verdade no mundo. Que não vai ser mais só um arquivo no computador ou um monte de anotações espalhadas. Vai ser algo que as pessoas vão poder segurar, folhear, sentir.

Mas junto com essa animação… vem o medo. Um medo silencioso, discreto, que aparece do nada. Quando eu tô deitada olhando pro teto. Quando tô tomando banho. Quando paro por dois segundos e penso: “Meu Deus… eu vou publicar mesmo.” Publicar um livro não é só apertar um botão. É mostrar um pedaço da sua alma. É dizer: “Olha… isso sou eu. Essas são as minhas ideias. Esses são os meus sentimentos. Essas são as minhas histórias.” E isso dá um frio na barriga enorme.

Às vezes eu fico pensando se eu estou pronta. Se eu já sou boa o suficiente. Se as pessoas vão gostar. Se alguém vai se emocionar. Se alguém vai achar bobo. Se alguém vai ignorar. E, logo depois, eu percebo que todo mundo que sonha de verdade sente isso. Porque quem não sente medo… normalmente não está se arriscando.

Esse livro nasceu de muitas conversas comigo mesma, de muitas noites pensando na vida, nas pessoas, nas relações, no tempo, nas mudanças. E, principalmente, nasceu de personagens que moram no meu coração há muito tempo: o Carlos e a Bárbara. Eles não são só personagens pra mim. Eles são quase como velhos amigos. Foram eles que me ensinaram a escrever sobre silêncio, sobre cuidado, sobre amor que não grita, sobre presença. Foram eles que me mostraram que pequenas atitudes podem ser gigantes.

Quando eu escrevo sobre o Carlos e a Bárbara, eu escrevo sobre tudo aquilo que eu acredito. Sobre gentileza. Sobre paciência. Sobre crescer sem perder a sensibilidade. Sobre errar e tentar de novo. Eles carregam muito da minha forma de ver o mundo. Talvez por isso eu tenha tanto carinho por eles.

Eu escrevi cada página com cuidado. Com respeito. Com vontade de fazer algo bonito, verdadeiro, honesto. Coloquei ali minhas inseguranças, minhas esperanças, meus sonhos e também meus medos. E agora… o livro vai sair do meu colo. Vai andar sozinho. Vai encontrar leitores que eu nunca vi. Vai parar em casas que eu nem imagino. Vai ser lido em momentos que eu nunca vou presenciar. E isso é lindo. E é assustador ao mesmo tempo.

Tem dias em que eu acordo confiante, pensando: “Eu consigo. Vai dar certo.” E tem dias em que eu penso: “Será que eu não devia esperar mais um pouco?” Mas, no fundo, eu sei. Se eu esperar até não sentir medo, eu nunca vou publicar. Porque o medo faz parte quando algo é importante de verdade.

Hoje eu entendo que esse frio na barriga não é fraqueza. É amor disfarçado. É cuidado. É responsabilidade. É vontade de entregar algo bonito. É sinal de que eu me importo. De que esse livro não é só um projeto. É um pedaço da minha história.

Eu não sei como o mundo vai receber meu livro. Não sei quantas pessoas vão ler. Não sei o que vão sentir. Mas eu sei como eu escrevi. Com verdade. Com carinho. Com coração aberto. E talvez isso seja suficiente.

Talvez ser corajosa não seja não ter medo. Talvez seja ir com medo mesmo.

Então, se você me ver mais quietinha, mais pensativa, meio aérea esses dias… provavelmente é só isso. Uma autora segurando um sonho nas mãos. Uma menina que ainda se emociona com as próprias histórias. E um coração tremendo, mas seguindo em frente 💛📚✨

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