Ir ao mercado, pra muita gente, é só uma tarefa comum. Comprar comida, pagar, voltar pra casa. Simples. Mas, pra mim, ir ao mercado é quase uma experiência emocional. É onde eu tento ser adulta, organizada, responsável… e onde, quase sempre, acabo sendo só eu mesma: distraída, sensível e facilmente seduzida por embalagens bonitas.
Desde pequena, minha mãe sempre fez comida pra mim. Sempre cuidou. Sempre esteve ali. Prato pronto, comida quentinha, cheiro bom vindo da cozinha. Cresci nesse ambiente de cuidado. De afeto em forma de refeição. E sou extremamente grata por isso.
Mas, desde que virei adulta, uma ideia começou a crescer dentro de mim: um dia, eu vou precisar cuidar disso sozinha. Um dia, eu vou ter minha própria casa. Talvez eu more sozinha. Talvez com um companheiro. Talvez com alguém que eu ainda nem conheço. Mas, em qualquer cenário, eu vou precisar saber me virar.
E é aí que entra o mercado.
Toda vez que eu entro em um, eu penso: “É treino.” Treino pra vida. Treino pra independência. Treino pra autonomia. Treino pra quando eu não tiver mais minha mãe ali todos os dias fazendo comida.
Eu até tento ser organizada. Às vezes, faço uma lista. Às vezes, só penso: “Vou lembrar.” Spoiler: eu não lembro.
Entro no mercado cheia de boas intenções. “Vou comprar arroz, feijão, legumes, frutas, coisas saudáveis.” Cinco minutos depois, estou no corredor dos biscoitos pensando: “Só um pacotinho não faz mal.” Dez minutos depois, já tem três.
O mercado é um teste psicológico. Ele te pergunta o tempo inteiro: você quer ser responsável… ou feliz agora? E eu tento equilibrar. Um pouco de cada. Um arroz integral aqui. Um chocolate ali. Um iogurte saudável. Uma bolacha recheada. Equilíbrio emocional, versão compras.
Eu ando pelos corredores como se estivesse montando meu futuro. Cada item parece dizer algo sobre quem eu quero ser. A Meli que compra legumes é madura. A Meli que compra lasanha congelada está cansada. A Meli que compra chá é contemplativa. A Meli que compra salgadinho é honesta sobre seus dias difíceis.
E tudo bem.
Às vezes, eu fico parada olhando as prateleiras, meio perdida. Tem tantas opções. Tantos sabores. Tantos preços. Tantas versões da mesma coisa. E eu penso: a vida é meio assim também. Muitas escolhas. Pouca certeza.
Já aconteceu de eu voltar pra casa toda orgulhosa das compras… e perceber que não dava pra fazer nenhuma refeição completa com aquilo. Tinha ingredientes soltos. Um molho. Um queijo. Um pão. Nenhuma ideia. Um caos criativo.
Aí eu lembro: ainda estou aprendendo.
Ir ao mercado é parte desse processo de amadurecimento silencioso. Ninguém vê. Ninguém aplaude. Mas eu sinto. Cada compra é um passo pequeno rumo à minha independência.
E, ao mesmo tempo, tem um lado emocional nisso tudo.
Porque enquanto eu empurro o carrinho, eu penso na minha mãe. Penso em tudo que ela fez por mim. Em todas as refeições. Em todos os cuidados invisíveis. Em tudo que eu só percebo agora.
Cuidar da própria alimentação não é só cozinhar. É planejar. É pensar no amanhã. É se importar consigo mesmo. É um ato de amor próprio.
E eu estou aprendendo isso aos poucos.
Tem dias em que eu entro no mercado empolgada. Imaginando receitas. Pensando em testar coisas novas. Sonhando com minha futura casa. Com minha rotina. Com minhas manhãs fazendo café sozinha. Com meus almoços simples. Com meus jantares tranquilos.
Tem dias em que eu entro cansada. Só querendo resolver rápido. Comprar o básico. Voltar pra casa. E tudo bem também.
Porque crescer não é virar outra pessoa. É continuar sendo você, só com mais consciência.
Eu ainda dependo da minha mãe. E não tenho vergonha disso. Ainda recebo cuidado. Ainda recebo apoio. Ainda recebo colo em forma de comida. E sou grata.
Mas também estou me preparando.
Me preparando pra quando eu tiver que ser esse cuidado pra mim mesma. Me preparando pra quando eu for a responsável pela minha própria rotina e pra quando a cozinha for só minha.
E, até lá, eu sigo treinando.
Errando nas compras. Exagerando nos biscoitos. Esquecendo ingredientes. Improvisando refeições e aprendendo no processo.
Porque a Meli que vai morar sozinha um dia… está sendo construída agora. No corredor do arroz. No corredor do tempero. No caixa. Na sacola pesada. No caminho de volta pra casa.
Entre sonhos, compras e carinho 💛🛒✨

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